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Blazing Chrome, o novo Contra da Joy Masher é sensacional!

Vivemos um momento no mínimo curioso na videogamesfera. Enquanto grandes produtoras abandonam suas franquias clássicas, as pequenas abraçam a causa e fazem o que os fãs nostálgicos tanto querem: novos jogos clássicos. E em alguns casos vão além e superam todas as expectativas, é hora de falar de um novo clássico chamado Blazing Chrome.


https://youtu.be/8X4ErrtUFIw

Em 1987 a então queridinha Konami criou uma franquia do gênero run and gun (correr e atirar) chamada Contra, que claramente é uma das inspirações de Blazing Chrome, um jogo desafiador e muito divertido que eu tive o imenso prazer de terminar recentemente.

Inspiração é o termo correto, não é cópia, é um jogo inteiramente novo com a alma dos  clássicos e um detalhe muito legal, tem DNA nacional. Foi produzido pelo estúdio brasileiro Joymasher e publicado pela Arcade Crew e Way Forward. 

Blazing Chrome grita qualidade. É muito fácil entrar na onda e chama-lo de sucessor espiritual. Mas eu acho que isso seria uma grande injustiça, Blazing Chrome tem pedigree mais do que suficiente para se sustentar sozinho. É bem verdade que sem a referência de tantos clássicos como Contra, BattleToads e Ninja Gaiden do nintendinho entre outros, talvez o jogo não existisse, porém o mérito de fazer tudo isso funcionar é todo dele.

São ao todo seis estágios recheados até o pescoço de muita ação, pixel art incrível, trilha sonora e efeitos especiais perfeitos e bastante dificuldade. Eu joguei Blazing Chrome por cerca de 7 horas e não vou negar que penei bastante e adorei cada minuto dele. 

Quando o mundo é tomado por robôs controlados por uma inteligência artificial, somente Mavra ou o Doyle podem salva-lo. História clichê? Sim, deliciosamente clichê, mas tem mais nuances que você vai ter que jogar para descobrir. No modo normal você tem as escolha entre esses dois personagens, e as partidas começam com cinco vidas e continues infinitos. Mas não é moleza, o jogo pune mesmo. Qualquer coisa que encoste em você te mata e as vidas vão embora rapidinho. As fases têm de dois a três checkpoints de onde você recomeça quando acabam as vidas. Isso enquanto você persistir em jogar, se resolver parar para voltar mais tarde, vai ter que recomeçar o estágio todo de novo.

Blazing Chrome tem uma variedade de cenários e inimigos bem bacana, alternando inclusive a forma de jogar, seja correndo, pilotando mechas ou veículos e mudando até a perspectiva do jogo. Seu arsenal tem quatro variações de armas principais e mais alguns bots que vão te auxiliar com escudos, salto duplo e coisas do gênero. Morreu, perdeu tudo que estava usando e volta para o tiro comum.  São muitos chefes e mini-chefes de fase, e você vai precisar de muita decoreba e paciência para seguir em frente. Além de atirar, você tem ataques de espada, poderosos mas que exigem o corpo a corpo e é bem fácil morrer assim. Com tanta variação, o jogo possibilita muitas estratégias diferentes e cabe a você encontrar a sua forma de jogar. 

Não vou falar que Blazing Chrome é perfeito. Mas é muito próximo disso. Não vou nem dizer que tem defeitos, mas esse jogador veterano que escreve essa matéria sofreu um bocado para se acostumar com os controles. E diversas vezes senti que o personagem não respondia imediatamente aos comandos por ficar preso nos frames de animação. Especialmente na hora de abaixar, rolar para atirar e levantar, foram muitas vidas perdidas. Não vou me enganar, pode ser só ruindade de jogo de minha parte mesmo, ou ainda pode ser algo criado propositalmente para causar aquela sensação de que o jogo está sendo injusto e te sacaneando como ocorria nos clássicos.

Fato é que nada tira o mérito desse jogo incrível que é Blazing Chrome, feito por brasileiros, e que me rendeu horas de diversão e uma satisfação enorme de jogar. Me peguei em vários momentos xingando a tela como se fosse antigamente, e minha mulher perguntando de longe o que estava acontecendo. Blazing Chrome é um jogo muito bem feito e merece que você dê uma chance para ele.